quarta-feira, 22 de junho de 2011

Resenha do documentário SURPLUS

Surplus, vídeo documentário sueco de 2003, exibe com bastante criticidade a relação entre a desenfreada sociedade do consumo em que vivemos hoje, e a gradativa destruição do meio ambiente que tal sociedade degringola.
Algumas teorias são explicitadas durante o vídeo, como as ideias do norte-americano John Zerzan que servem para personificar o pensamento neoludita, ou seja, ele acredita que a salvação do planeta encontra-se numa volta no tempo, com o aniquilamento da tecnologia existente hoje, como as indústrias, os artefatos tecnológicos e a ideia do consumo exagerado. Do outro lado da “corda” tem-se Steve Ballmer, atual presidente executivo da Microsoft, que aparece no documentário como um súdito da tecnologia e brada aos quatro ventos: “I love this company!”, falando a respeito da multinacional poderosíssima na qual trabalha.
Trazendo à tona o poder das multinacionais, encontramos no texto “Tecnologias, identidades, alteridades: mudanças e opacidades da comunicação no novo século” de Jesús Martín-Barbero, o que o autor chama de uma das perversões da comunicação, ou seja, algumas megacorporações globais possuem uma concentração econômica traduzida num poder que funde os veículos e os conteúdos, desenvolvendo a partir disso, o controle da opinião pública e a imposição de moldes estéticos. Percebe-se que quem transmite é quem produz, e, por sua vez, quem produz detém poder de interferir no que sua audiência pode e/ou deve consumir. A real necessidade de um indivíduo se confunde com o desejo de possuir algo, e toda essa confusão se deve, especialmente, a uma gigantesca publicidade que lhe é imposta, a partir da espetacularização da existência humana, e partindo do pressuposto de que o receptor dessas mensagens é completamente passivo e, mais, obediente.
A busca pela felicidade torna-se algo inventado e interligado ao consumir desesperado. O documentário expõe extremos de uma relação com o consumo, de um lado o jovem sueco Svante, que tornou-se milionário com apenas 19 anos, e apesar de poder usufruir de tanto capital, leva uma vida fora do padrão, e busca a simplicidade ao lado dos amigos. Não se pode negligenciar o fato dele parecer ter uma personalidade perturbada por não saber lidar muito bem com todo o seu dinheiro. E do outro lado uma garota cubana criada nos moldes do regime de seu país, que quando vai à Europa encanta-se com o novo, ou seja, comidas diferentes (Mc Donald's em especial), canais de TV aos quais ela não tinha acesso, prateleiras e mais prateleiras recheadas com diferentes produtos, e ainda, diferentes marcas de um mesmo produto. Tudo isso é muito diferente da sua realidade em seu país de origem, de suas raízes, que segundo Barbero, podem ser móveis a partir das migrações e mobilidades, das redes e fluxos, ou seja, novas influências. Seguindo essa linha de raciocínio, a jovem a que nos referimos não deixará de ser cubana se adquirir alguns hábitos da cultura européia, ela estará apenas num processo de transformação da sua identidade pessoal.
O que fica claro para nós é que ambos extremos citados anteriormente são insustentáveis. O 'ter' desenfreado, com inúmeras possibilidades de escolhas ou o 'não ter' opções, a exemplo do creme dental (Perla) cubano, são pólos que não se sustentem, tanto pelo esgotamento dos recursos naturais, quanto pela liberdade cerceada que provoca essa tensão vivida atualmente.
Orosco Gomez no texto “Comunicação social e mudança tecnológica: um cenário de múltiplos desordenamentos.” reconhece que as transformações identitárias vão sendo contruídas de hibridações sedimentadas em representações sobretudo visuais, e a mídia atrelada às novas tecnologias possuem grande participação nessa questão. A audiência é um tema abordado pelo autor, ele afirma que ser audiência modifica o vínculo entre os atores sociais (família, amigos, governo, etc) e as janelas das casas vão sendo suplantadas pelas telas dos televisores, onde a publicidade domina e faz do homem quase um completo refém.
O que está em jogo tanto no vídeo quanto nos textos citados, é o futuro do planeta. Com o aparecimento das novas tecnologias, o poder adquirido pelas pessoas a partir de tal surgimento, com a mudança no papel do emissor e sua localização, ainda assim, é preciso raciocinar sobre para onde estamos indo.

domingo, 19 de junho de 2011

Campanha “Eu sou gay” usa a internet contra a homofobia.



   Na internet a campanha “Eu sou gay” reage pacificamente aos inúmeros casos de homofobia que vem crescendo a cada dia no nosso país. A campanha surgiu através da iniciativa dos amigos Carolina Almeida (jornalista) e Daniel Ribeiro (Cineasta), que indignados com o rumo que a intolerância vem alcançando no Brasil, resolveram reagir com as armas que tinham, ou seja, a internet. De acordo com Carolina, a gota d’água foi o caso que ocorreu em uma pequena cidade de Goiás, em que uma estudante de 16 anos foi encontrada morta e que a principal suspeita recai sobre a família da namorada que enjeitava o relacionamento, ou seja, mais uma vítima da intolerância e do ódio.
   Com a criação do blog http://projetoeusougay.wordpress.com/ eles desejam recolher o maior número de fotos de pessoas segurando uma placa com a frase EU SOU GAY. No próprio blog eles fazem este apelo pedindo as pessoas para aderirem à campanha e enviarem as fotos independente da sua orientação sexual, idade, cor, o que vale é simplesmente passar a mensagem.
   A intenção da campanha é montar um vídeo com todas as fotos pra que este venha a ser divulgado não só no Youtube como também em fóruns, festivais, palestras, e dessa forma lutar contra o preconceito, a intolerância, o ódio e principalmente a falta de respeito que há contra o próximo. O “ser gay” da campanha vai muito além da orientação sexual, trata-se da liberdade de expressão, da liberdade de ser quem se é sem medo ou receio, a liberdade que uma sociedade moldada numa falsa moral tanto condena, uma campanha a favor do amor.
   A campanha teve inicio em maio e em apenas 24 horas se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter, arrecadando 600 mil fotos nesse período. As fotos poderiam ser enviadas até o dia 8 de maio e desde então o vídeo esta em processo de produção da trilha sonora, esta que por sinal será feita especialmente para a campanha, segundo Daniel Ribeiro.

Fontes:

Estadão.com.br/São Paulo
O Globo

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Governo Federal planeja atrair movimentos sociais não-organizados da internet.

Acostumada a dialogar com movimentos sociais conhecidos, Secretaria Geral da Presidência pretende usar internet para atingir brasileiros que querem participar da vida pública mas não se sentem representados por partidos, mídia ou entidades tradicionais. A ideia é criar um Portal de Participação Social em 2012 objetivando levar a voz da internet para dentro do Palácio do Planalto e incorporá-la à construção de políticas públicas.

A Secretaria Geral da Presidência da República pretende aproximar o governo dos movimentos sociais, para que políticas públicas sejam permeáveis a reivindicações populares. Seus interlocutores frequentes são centrais sindicais (CUT, por exemplo), estudantes (UNE), sem-terras (MST), índios (Cimi). Enfim, grupos de interesse organizados em entidades conhecidas. 
A Secretaria Geral planeja, agora, ampliar a clientela e levar para dentro do Palácio do Planalto movimentos sociais "desorganizados”. Aqueles que, de forma anárquica e espontânea, nascem e manifestam-se pela internet. E que são desprovidos de vínculo com instâncias tradicionais no debate público, como os partidos políticos ou a mídia.
O objetivo da Secretaria Geral consta do planejamento estratégico dela ainda para este ano. Caso se desenvolva como previsto, deve se materializar em 2012, com a criação de um “portal de participação social”, como já está sendo chamado.
“A idéia é ampliar a democracia. Os instrumentos tradicionais da democracia, sozinhos, hoje não dão mais conta da realidade, a internet é o espaço por execelência de um novo tipo de representação, que é mais utópica, mais direta, como vimos nos países árabes no começo do ano." diz Ricardo Poppi, responsável pelo projeto na Secretaria Nacional de Articulação Social, da Secretaria Geral.
O projeto ainda é embrionário, mas Poppi já antecipa que o portal seria um espaço de consulta pública permanente, uma espécie de "ágora grega" virtual, onde as pessoas opinariam e deixariam críticas ou sugestões sobre temas propostos pelo governo ou que elas mesmas considerem importantes. Funcionaria ainda como um grande arquivo sobre as conferências nacionais patrocinadas pelo governo (juventude, comunicação, LGBT, por exemplo. “O portal vai permitir que as pessoas tenham participação política e influenciem a formulação e a implementação de políticas públicas”, afirma Poppi. “Elas vão poder poder pautar o governo com temas que nem a imprensa nem a burocracia tinham percebido”, completa.
Para Poppi, a tecnologia digital pode ser um meio extraordinário de participação política. Cita como exemplo um episódio recente envolvendo uma professora do Rio Grande do Norte chamada Amanda Gurgel. Em audiência pública na Assembléia Legislativa sobre salário dos professores, ela fez um discurso forte sobre a realidade da categoria que constrangeu os parlamentares. O vídeo com a manifestação foi parar no youtube, virou hit na internet e tornou-se assunto discutido pela população em mesa de bar. “Se não fosse a tecnologia, a fala dessa professora teria impacto apenas local”, afirma o responsável pelo projeto.
                                Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Protesto no Facebook e no Twitter a favor da educação no Brasil



  O Movimento Queremos Ética está organizando para o dia 12 de junho um protesto  no Facebook e no Twitter a favor da educação no Brasil. Rodrigo Gabriel o RG, criador da rede do Movimento QE no Ning e também organizador do protesto, convida os brasileiros a usarem no dia 12/06 a imagem do evento no perfil, além de colocarem no mural e twittar a hashtag  #QueroEducação. 
 O protesto é contra a desvalorização da educação no Brasil, visa otimizar as pessoas e torná-las  mais conscientes do que está acontecendo e do que elas realmente podem fazer pelo Brasil. Educadores que aderiram ao protesto reclamam dos salários pagos aos profissionais da educação e reivindicam a atualização da metodologia de ensino nas escolas brasileiras.
 Na página do evento no Facebook muitos são contrários a uma mobilização apenas virtual, e desejam que  parte dos  221.154 internautas que confirmaram presença virtual, se mobilizem e vá  as ruas protestar pela melhoria da educação.

Cambitolândia, Charge Evolução

Fonte: QE

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Retome a Tecnologia

O Retome a Tecnologia é uma campanha brasileira de ativismo, conscientização e apropriação das tecnologias de informação e comunicação (TIC) para o fim da violência contra as mulheres. A campanha ocorre anualmente durante os 16 dias de ativismo para o fim da violência contra as mulheres, do dia 25 de novembro ao dia 10 de dezembro, e é feita a base de trabalho colaborativo e coletivo, inspirado por idéias criativas!

Retome a Tecnologia foi inspirada pela campanha take back the tech, uma iniciativa colaborativa e internacional iniciada e coordenada pelo programa de apoio a redes de mulheres da associação para o progresso das comunicações (APC). O take back the tech começou em 2006 e já teve participação de individuos, grupos, redes e organizações em mais de 15 países da África, Ásia, América Latina, América do Norte e Europa.

Em anos anteriores da campanha, muitas internautas fizeram postagens em blogs sobre temas relacionados à violência sexista, espalharam e-mails com conteúdo feminista, compartilharam histórias sobre sua relação com computadores, máquinas fotográficas, câmeras de vídeo, microfones e outras tecnologias, ou aproveitaram os dias da campanha para realizar oficinas e bate-papos sobre tecnologia.

No Brasil, as ações desse tipo têm sido chamadas de retome a tecnologia e várias mulheres se articulam todos os anos para essa jornada, ligadas ou não a organizações internacionais que sustêm a campanha.

Alguns do grupo feministas participam da campanha, como: birosca, g2g, que estiveram envolvidas na realização do etc-br, em Salvador; o coletivo korpus krisis, que mantêm o confabulando; e a xanta uma servidora livre, além de muitos outros grupos por aí.

Uma das características específicas da campanha brasileira é o foco na apropriação e uso de tecnologias livres por mulheres.


Fontes:

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dominaremos a tecnologia!

Take Back The Tech! é uma campanha internacional que visa contribuir para a eliminação da violência contra as mulheres. Cada sugestão de ação diária procura um aspecto da violência contra as mulheres e a sua interligação com os direitos de comunicação. Todo ato tem uma visão estratégica e uma abordagem criativa para diferentes plataformas de mídia online e offline.

A campanha convida todos os utilizadores das TIC (tecnologias da informação e da comunicação) -
especialmente mulheres e meninas - para assumir o controle da tecnologia e estrategicamente utilizar qualquer plataforma de TIC na mão (telefones celulares, mensagens instantâneas, blogs, websites, câmeras digitais, e-mail, podcasts e outras) de ativismo contra a sexo -violência baseada.

Take Back The Tech! acompanha os 16 Dias de Ativismo Contra a Violência de Género (25 novembro - 10 dezembro de cada ano), com ações diárias que exploram diferentes aspectos da violência contra as mulheres e as TIC.

Take Back The Tech! tem como propostas:
  Criar espaços seguros digital que protegem o direito de todos de participar livremente, sem assédio ou ameaças para a segurança.

Realizar as mulheres em matéria de direitos de moldar, definir, participar, usar e compartilhar informações, conhecimentos e domínio das TIC.

Endereço da intersecção entre os direitos de comunicação e direitos humanos das mulheres, especialmente para acabar com a violência contra as mulheres.

Reconhecer a participação das mulheres histórica e crítica e de contribuição para o desenvolvimento das campanhas de colaboração para recuperar a informação e comunicação.

Em 2008, Take Back The Tech!
foi premiado com uma menção honrosa na categoria Comunidades Digitais do prestigiado Prix Ars Electronica Concurso Internacional de Artes para o Cyber ​​para sua campanha, inovadora de colaboração para acabar com a violência contra as mulheres
 
Em suma, Take Back The Tech!conta com a ajuda de milhares de mulheres que contribuem com seus pensamentos, idéias, palavras e imaginação. Essas mulheres criam e compartilham cartões postais,  blogam, fazem upload e compartilham vídeos e áudio que possam refletir sobre a realidade da violência contra as mulheres.

 
Fontes:

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Marcha das Vagabundas" no Brasil

  Neste sábado, 04 de junho, a Avenida Paulista será  palco da Slut Walk ou " Marcha das Vagabundas"  em tradução livre. 

 O Slut Walk é um movimento criado por estudantes  cujo objetivo  é chamar a atenção para a cultura de responsabilizar a vítima por casos de abuso ou estupro.

 O movimento surgiu como protesto em resposta  ao comentário que Michael Sanguinetti, policial canadense, fez em uma palestra sobre segurança na  Escola de Direito Osgode Hall, em Toronto.O policial disse que " se a mulher não se vestir como vagabunda (slut, gíria inglesa), reduz-se o risco de ela sofrer abuso ou estupro".

 Os comentários tiveram grande repercussão na Internet e chamaram a atenção de Sonya Barnet, uma designer gráfica de Toronto, que quando soube através de um jornal local,  se juntou a  Heather Jarvis, estudante da Univesidade de Guelph, e criou uma pagina no facebook para chamar a atenção das pessoas para a causa e divulgar a passeata.

  Sonya Barnett disse ao site OiToronto que o motivo principal da passeata foi protestar contra o fato de o policial ter usado a palavra “vagabunda” e exigir que haja uma mudança na mentalidade das pessoas. “A maneira como você se veste não deve servir como justificativa para ser abusada sexualmente. Quando um policial faz um comentário desses, deixa transparecer que as vítimas são culpadas e isso não é verdade”, disse Barnett.


                                  Primeira Stul Walk realizada em Toronto, Canadá.

  A primeira passeata aconteceu em maio na cidade de Toronto, no Canadá, e cerca de 3 mil pessoas participaram. Milhares de mulheres saíram  as ruas vestidas de forma provocante ou comportada exibindo cartazes contra o machismo e o abuso sexual.

 O sucesso do movimento se espalhou por diversos países como Estados Unidos, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Austrália, Holanda, Argentina, Suécia e agora chega ao Brasil.

  No Brasil, a "Marcha das Vagabundas" está sendo organizada por três amigos, a escritora Solange De-Ré, a blogueira Madô Lopez e o músico Edu K, que após verem uma reportagem sobre o Slut Walk decidiram protestar contra o machismo velado que há no país. Então marcaram o evento no Facebook. Os organizadores ficaram surpresos pois mais de 4.5 mil pessoas confirmaram presença no evento Slut Walk Brasil. 

 Para Solange De-Ré  o evento superou suas expectativas. "Está sendo surpreendente ver que esse problema sempre existiu e agora podemos discuti-lo publicamente, apoiados por homens e mulheres", afirma.Ela espera 2,5 mil pessoas na marcha que está marcada para às  14h do dia 04 de junho na Avenida Paulista em São Paulo.

 Nesse mesmo dia acontecerão protestos em outras cidades como Chicago (EUA), Los Angeles (EUA), Londres (Inglaterra), Edmonton (Canadá), Estolcomo (Suécia), Amsterdã (Holanda) e em Edimburgo (Escócia).



Redes Sociais

Convocações via redes sociais como o Twitter e o Facebook tem sido fundamental para o sucesso do movimento. O site oficial  é o StulWalk Toronto, nele são encontradas informações sobre como surgiu , quem são seus organizadores, depoimentos de mulheres sofreram abusos e que participaram das passeatas, além de notícias sobre os protestos que acontecem em diversos países.No Twitter além do perfil oficial @SlutWalkTO , o movimento tem mais três perfis de cidades em que a passeata foi realizada.No Brasil, a "Marcha das Vagabundas" utiliza apenas a página do Facebook para convocar os participantes.

Marcha em Toronto

Fontes: OiToronto, G1, Estadão.
 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ciberfeminismo no Brasil


O ciberfeminismo no Brasil é potencialmente inexistente. O primeiro trabalho a falar de ciberfeministas brasileiras está em produção atualmente por uma mexicana doutoranda da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Amália Eugênia Fischer Pfaeffle é doutora em comunicação e cultura e professora universitária. Defendeu e divulgou sua tese sobre ciberfeminismo em revistas e diversas conferências.
Recentemente, Amália Eugênia Fischer Pfaeffle, que também é uma das idealizadoras do Fundo Social Elas (fundo brasileiro de investimento social voltado exclusivamente para a promoção do protagonismo de meninas, jovens e mulheres), deu uma entrevista para o jornal O Globo falando sobre a sua tese: "Producción de tecnocultura de género, mujeres y capitalismo mundial integrado" .  Veja a seguir.

1.       Por que um trabalho sobre ciberfeminismo?

 Decidi fazer um trabalho sobre ciberfeminismo por vários motivos: 1° - Porque é importante que as mulheres se apropriem da tecnologia. 2° - Porque na Internet se reproduzem as mesmas arborizações que na sociedade. Mesmo que a maneira como as mensagens são trocadas na Web não passem por um centro, uma censura etc., mas alguns conteúdos são patriarcais, racistas, lésbico e homofóbicos e reproduzem de certo modo a sociedade patriarcal. É importante que as mulheres desconstruam também na rede essa sociedade. O patriarcado se reproduz em todos os níveis.


2.       Do que se trata o seu trabalho e como tem sido recebido?

 Meu trabalho é uma análise sobre o Capitalismo Mundial Integrado, as lutas e resistências dos movimentos sociais no contexto da globalização e a Tecnocultura de Gênero. Como se produz o relacionamento entre tudo isso e em que nível de complexidade. Tem sido bem recebido por mulheres interessadas na problemática.



3.       Você considera que a mulher irá ganhar mais espaço no mundo tecnológico?

Pergunta difícil de responder. Acho que existe muita ciberliteratura feminista na Internet, mas em inglês e um pouco em espanhol. Acho que a cada vez mais as feministas estão preocupadas com o ciberfeminismo. Você encontra desde meninas que respondem agressivamente e na mesma linha que os homens até outras que fazem analises mais filosoficamente complexas.Mas sim, acho que as mulheres vão ganhar mais espaço no mundo tecnológico. Temos apenas que tomar cuidado para não perdermos nossos direitos a qualquer momento. Governos autoritários são a pior hipótese e podem levar isto a acontecer.

4.       Qual a sua definição didática de ciberfeminismo?

 Por um lado, é analise e prática do feminismo na Internet e uma luta mais das feministas por desconstruir o imaginário patriarcal na Internet. E uma proposta teórica sobre o feminismo e a tecnologia cibernética, assim como uma crítica ao patriarcado e ao capitalismo. Por outro lado, trata-se de fazer com que as mulheres tenham acesso à tecnologia e saibam como usá-la. Garotas do barulho São muitas as opções e os projetos para mulheres em tecnologia.
 


Fonte:

domingo, 22 de maio de 2011

A web é feminina

No contexto da questão sobre os movimentos sociais na internet, o campo comunicacional abrange como espaço de luta política, incisivo e não apenas determinante de outras instâncias em que se conclui a dinâmica histórica. As novas tecnologias de comunicação permitem um redimensionamento das maneiras de organização de significativos movimentos sociais como, por exemplo, o feminismo, que nesse contexto é atualizado por uma nova prática denominada como Ciberfeminismo.
   O Ciberfeminismo, desde seu surgimento, atualiza suas semelhanças históricas com outros feminismos. A partir desse conceito, o movimento estuda as possibilidades de novos discursos feministas em redes de comunicação, examinanando como esse movimento se dá, e mais designadamente, como o uso das novas tecnologias de comunicação estabelece essas novas afinidades feministas. Surgindo como uma forma de ativismo digital, o ciberfeminismo, definido como uma prática pós-feminista na rede, é um complexo campo tecnológico e político.

   O Ciberfeminismo teve procedência em inúmeras redes eletrônicas, anteriores à World Wide Web (WWW), como por exemplo, as BBS e Intranets universitárias da Austrália e Alemanha. Outro agente responsável pelo surgimento do Ciberfeminismo é a divulgação do Manifesto Ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX em 1984, escrito pela biológa Donna Haraway. Donna Haraway propõe um rompimento com o marxismo, o feminismo radical e outros movimentos sociais que falharam ao atuar com categorias como classe, raça e gênero. Em relação ao movimento feminista, a crítica de Haraway diz respeito ao modo como ele vem operando com a categoria “mulher” de uma forma naturalizada. Sendo assim, seria necessário rescindir com essa política da identidade e troca-la pelas diferenças e por uma coalizão política baseada na afinidade e não numa identificação concebida como “natural”. O ciborgue seria, assim, o arquétipo, o mito fundador dessa novidade política de identificação construída a partir da semelhança, longe da coerência da assimilação de uma exclusiva identidade. A partir disso dar início as discussões e análises do método de construção desses novos modos de discurso em redes eletrônicas e suas relações com os movimentos de identidade.

   No caso Ciberfeminismo, uma das questões dessa vertente é que a compreensão do espaço da mulher deve ser também percebido no contexto das novas tecnologias, mais especificamente o da Internet. Uma das dificuldades nesse procedimento, sugerido pelas australianas Hawthorne e Klein (1999) e pela americana Faith Wilding (1997), é a de que o Ciberfeminismo ao pretender se alinhar radicalmente às teorias de Haraway, na tentativa de um anulação com o movimento feminista anterior, acabou por recusar sua relação com o passado político do movimento e sua relação com os distintos contextos culturais femininos. Mas ainda que o Ciberfeminismo não tenha as mesmas características políticas de seus antecessores, suas reverberações podem ser entendidas em produções artísticas e na ação ativista de inúmeras coligações e artistas.

   O ciberfeminismo é, sem dúvida, uma esperança na construção de uma nova ideia – examina gênero e identidades. Para a humanidade, a elaboração de um cyborg como propunha Donna Haraway é um dos maiores desafios. A rede é um meio público que tem se qualificado até agora por ser acessível e aberto à pluralidade dos discursos, à multiplicidade. Mas o mundo tecnológico, um mundo não alheio aos outros mundos, lida e sofre as alternativas políticas e sociais. De fato, a tecnologia é somente uma esperança para se olhar para os movimentos sociais e, ao utilizarmos esta lente, devemos pensar em que comedimento as novas tecnologias redimensionam esses movimentos. No caso do feminismo, e mais especificamente do Ciberfeminismo, é preciso termos em conta as distintas camadas e temporalidades que as tecnologias utilizadas por esses movimentos transcorrem. Por esta razão, o ciberfeminismo também deve ser um espaço aberto para a política e o ativismo.

   Embora existam inúmeros conceitos para o Ciberfeminismo, segundo as pesquisadoras Ana Martínez Collado e Ana Navarrete:  O entendemos como uma prática feminista em rede, que tem por intuito, tanto politicamente, quanto esteticamente, a construção de novas ordens e desmontagem de velhos mitos da sociedade através do uso da tecnologia.” A priori, o Ciberfeminismo não é conecto, desde o seu surgimento ele se apresentou de diversas formas e grupos, mas identificamos em sua fórmula alguma coisa que o distingue de outros feminismos anteriores. Enquanto os movimentos feministas dos anos 1960 e 1970 se multiplicaram pelo efeito de sucessivas divergências internas, resultando em grupos que buscavam ações identitárias afins, diferentes grupos ciberfeministas utilizaram a Internet para trocarem experiências, se reunirem e debaterem as relações entre gênero e tecnologia.

   Dessa maneira, este movimento, mesmo com suass variadas alianças identitárias, procurou uma aproximação para trocas e ações de experiências de distintos fundos culturais em conjunto. Muitos dos grupos ciberfeministas usam as tecnologias de comunicação, como a Internet, não só para se organizarem em rede, mas também para construírem novas falas que problematizam as teses de gênero através de afazeres que vão desde a produção audiovisual e experimentos com midiarte até as experiências artístico-ativistas na Internet. Em resumo, o Ciberfeminismo surgiu em um período onde são cada vez mais polifônicas as identidades, as narrativas e até mesmo as próprias tecnologias. No entanto, as potencias como movimento social acarretadas pelo ciberfeminismo ainda são embrionárias no terrítorio brasileiro. O sentido da comunicação e da informação, e consequentemente, sua globalização, instituíram novos âmbitos de ação coletiva que carecem ser, cada vez mais pesquisados, discutidos e divulgados por mulheres, para mulheres, em especial , as brasileiras!


Fontes:





quinta-feira, 19 de maio de 2011

Blogs de greve em Alagoas

Os blogueiros e, agora grevistas, do Estado de Alagoas ficarão sem postar em seus blogs durante uma semana para que o governador do Estado receba os mesmos.

Na verdade, o atual governador do Estado de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, não pagou por alguns trabalhos feito por blogueiros durante sua campanha.

Enquanto esses blogueiros não recebem o pagamento, estão convocando todos os blogueiros alagoanos a fazer o mesmo: ficar sem escrever.







Fonte:

sábado, 14 de maio de 2011

AVAAZ: comunidade de campanhas que leva a voz da sociedade civil para a política global.


O post de hoje traz como tema a Avaaz, comunidade criada em 2007 e que tem como finalidade mobilizar pessoas do planeta inteiro para agirem em causas internacionais urgentes, utilizando como base de mobilização as ferramentas online, que permitem que milhares de ações individuais possam ser combinadas em uma poderosa força coletiva.  Essa comunidade virtual atua como um megafone para chamar atenção para novas questões.
O termo avaaz quer dizer “voz” em diversos idiomas europeus e asiáticos. Segundo informações do próprio site, a comunidade Avaaz opera em 14 línguas por uma equipe profissional em quatro continentes, voluntários de todo o planeta e mais de 8 milhões de membros espalhados por 193 países. Tal equipe possui atuação mundial, com a missão de trabalhar com qualquer questão de interesse público, essa grande distribuição de pessoas permite a organização de campanhas com bastante agilidade. Eles trabalham no sentido de mobilizar a assinatura de petições, financiamento de campanhas de anúncios, a equipe, também, envia emails e telefona para governos, organizando protestos e eventos nas ruas.
As prioridades gerais da comunidade virtual são eleitas pela equipe da Avaaz, que as definem através de pesquisas. As ideias para campanhas são submetidas a pesquisas e testes semanalmente com amostras aleatórias distribuídas a 10.000 membros, e apenas as iniciativas que recebem uma forte reação positiva são implementadas em grande escala. A equipe trabalha com parceiros e especialistas para desenvolver estratégias de campanha que sejam eficazes, sumarizando essas estratégias através de alertas de linguagem clara e impactante, e, se o quadro de membros da Avaaz desejar prosseguir com a ideia, a equipe assegura que a campanha seja executada, entregando abaixo-assinados e mensagens de membros, organizando campanhas publicitárias financiadas pelos membros ou tomando qualquer outra medida necessária. Ou seja, a equipe da Avaaz não define sozinha um programa de ação para depois tentar convencer os membros a segui-lo. Na realidade, o processo é mais próximo do oposto disso: a equipe ouve os membros e sugere ações que possam implementar para influenciar o mundo de um modo geral.
A Avaaz é inteiramente financiada pelos próprios membros, eles simplesmente não aceitam recursos de governos nem de empresas. Eles acreditam que esse fato seja de máxima importância para garantir que sua voz seja determinada exclusivamente pelos valores compartilhados por membros e não por um grande financiador ou programa de ação. Atualmente quase 90% do orçamento da Avaaz provêm de pequenas doações via internet. Isso significa que o único programa de ação que eles seguem é aquele determinado pelo povo. Outro ponto importante, e que configura a Avaaz como um caso muito raro, refere-se às doações não serem dedutíveis do imposto de renda e, portanto, eles se consideram 100% livres para dizer e fazer o que for necessário a fim de fazer as lideranças mundiais ouvirem a voz do povo.


Dentre algumas histórias de sucesso desse movimento online global pode-se destacar a mobilização da Avaaz após a passagem do ciclone Nargis em maio de 2008 em Mianmar, matando 200.000 pessoas, a equipe da comunidade entrou em contato com organizações de monges para saber como ajudar. O chefe da Organização Internacional de Monges de Mianmar gravou um vídeo fazendo um apelo aos membros da Avaaz. Em apenas dez dias, mais de 250.000 pessoas, de 125 países, doaram US$2 milhões para apoiar os esforços humanitários dos monges, e muitas vidas foram salvas com esse ato. Outro exemplo refere-se a mais de US$1,3 milhão doados para o povo haitiano após o terremoto ocorrido em janeiro de 2010, ajudando organizações locais a proverem comida e ajuda médica que salvaram vidas. Atualmente diversas petições estão no site da Avaaz aguardando assinaturas, com a petição que será entregue em Brasília, relacionada a construção da usina de Belo Monte. Há ainda a petição de apoio à lei anti-homofobia que irá ampliar as proteções contra a violência e discriminação para todos os brasileiros, o requerimento será entregue em Brasília em uma grande manifestação pela lei anti-homofobia. Esses são apenas alguns exemplos das ações lideradas pelo Avaaz, maiores informações podem ser encontradas no site.
A repercussão na mídia adquirida pela Avaaz não pode ser esquecida, jornais como o The Economist, Le Monde e O Globo, abordaram as mobilizações encabeçadas por essa comunidade virtual. Outros meios de comunicação, como a BBC, o The New York Times e a rede Aljazeera também circularam notícias sobre a Avaaz.
A comunidade possui perfis no facebook e no twitter, objetivando a aproximação cada vez maior com toda a população.